Cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um método sustentável para extrair cafeína e antioxidantes da casca do guaraná, uma parte do fruto que normalmente é descartada. O estudo foi publicado na revista Innovative Food Science & Emerging Technologies, tem como primeiro autor Felipe Sanchez Bragagnolo e contou com parceiros de Espanha e do Uruguai.
O processo faz tudo num só passo, com uma mistura de 1,3-propanodiol, glicose e ácido cítrico, ingredientes renováveis. Assim, dispensa solventes voláteis e tóxicos, como o metanol, e a etapa de os remover no fim: o extrato sai pronto a usar, com menos tempo de preparação e menos energia.
Do resíduo saem guaranina, quimicamente idêntica à cafeína, e antioxidantes como a catequina, a epicatequina e a procianidina B2. O potencial é grande: o Brasil produziu cerca de 2.460 toneladas de sementes de guaraná em 2025, segundo o IBGE, e a semente representa apenas 15% a 20% do peso do fruto fresco.
Os cientistas querem agora testar o método com cascas de outras frutas, substituir a glicose por mel e fazer parcerias com empresas para criar novos produtos. O trabalho teve apoio da FAPESP.


