Um estudo liderado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo, mostra que a regeneração natural das florestas tropicais ajuda a conter árvores não nativas e invasoras. O trabalho, publicado na revista Nature Plants, tem como primeira autora Angelica Faria de Resende e reuniu cerca de 60 instituições.
Os cientistas analisaram 1.561 parcelas de floresta secundária, a que volta a crescer em terrenos abandonados, em dez países, entre eles o Brasil, o México, a Colômbia e o Peru. Em vez de acompanhar o mesmo terreno durante décadas, compararam áreas de idades diferentes, desde terrenos recém-abandonados até florestas maduras.
Nos primeiros 10 a 20 anos, as espécies exóticas chegam a 28% dos troncos nas florestas mais chuvosas e a 9% nas florestas secas. Depois, recuam: as árvores nativas crescem e fazem sombra, e as exóticas, que precisam de muito sol, passam a sobreviver só em pequeno número. Entre 3.735 espécies identificadas, 131 eram exóticas sem caráter invasor e 11 eram invasoras.
Os autores apresentam a regeneração natural, com paisagens que mantêm floresta à volta, como uma solução baseada na natureza para controlar espécies exóticas e proteger a biodiversidade. O estudo foi financiado pela FAPESP, através do programa BIOTA, e pelo Conselho Neerlandês de Investigação (NWO).


