A Amphistar, uma empresa nascida na Universidade de Gante, desenvolve tensioativos a partir de resíduos orgânicos através de fermentação microbiana. Os tensioativos são moléculas que reduzem a tensão entre líquidos como a água e o óleo e são usados em detergentes e cosméticos. Atualmente, a maioria tem origem petroquímica.
No processo, são extraídos açúcares e gorduras dos resíduos para alimentar a levedura Starmerella bombicola, isolada pela primeira vez no mel de abelhões. A levedura produz soforolípidos, que servem de tensioativos. O engenheiro de processos Bent Smets acompanha a fermentação num biorreator, e o objetivo é passar de alguns metros cúbicos para a escala industrial.
Segundo uma análise de ciclo de vida da própria empresa, os soforolípidos obtidos de resíduos emitem até quatro vezes menos CO2 do que os produzidos a partir de matérias-primas virgens e até seis vezes menos do que o SLES, um tensioativo petroquímico comum. Muitas alternativas de origem biológica dependem do óleo de palma, de coco ou da cana-de-açúcar, associados à desflorestação.
O diretor financeiro, Wim Allegaert, estima que o mercado de tensioativos ronda os 20 a 30 milhões de toneladas por ano, com cerca de 85% de origem fóssil ou de óleo de palma. A associação setorial belgo-luxemburguesa DETIC sublinha que as empresas querem reduzir a dependência da petroquímica e garantir abastecimento local.


