Cientistas do Hospital de Amor, em Barretos (São Paulo), identificaram marcadores no sangue que podem ajudar a prever, antes da primeira dose, se um paciente com melanoma avançado vai responder à imunoterapia. O estudo foi publicado na revista Clinical and Translational Oncology, com coordenação de Lidia Rebolho Arantes e Bruna Sorroche como primeira autora.
Os cientistas analisaram amostras de 136 pacientes com melanoma avançado ou metastático, tratados com imunoterapia anti-PD-1 no Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2016 e 2024. Quem respondeu pior tinha níveis altos da proteína inflamatória IL-6 e mais monócitos, e níveis baixos de IL-10, que ajuda a regular as defesas do corpo. A mutação BRAF V600 do tumor também entrou no conjunto de sinais.
Entre 40% e 60% dos pacientes com melanoma avançado não respondem à imunoterapia, um tratamento caro e de acesso difícil. Saber de antemão quem tem menos probabilidade de beneficiar pode evitar tratamentos sem efeito e usar melhor os recursos do sistema público. No Brasil, estimam-se cerca de 9.360 novos casos de melanoma por ano entre 2026 e 2028.
Os marcadores ainda não são usados na prática clínica. O próximo passo é confirmar os resultados num estudo maior e criar uma «calculadora biológica» que junte os principais sinais para orientar a escolha do tratamento.


