A construção da Sagrada Família, em Barcelona, dura há mais de 140 anos, mas a basílica idealizada por Antoni Gaudí está agora em condições de se libertar dos andaimes. O marco coincide com o centenário da morte do arquiteto e com a conclusão da Torre de Jesus Cristo, que eleva o templo a 172,5 metros e o coloca acima da catedral de Ulm, na Alemanha, como a igreja mais alta do mundo.
O maior desafio estrutural eram as seis torres centrais, estruturas hiperbólicas pensadas para resistir ao vento, aos sismos e a cargas elevadas. As torres foram divididas em 826 painéis modulares, com mais de 2.100 peças de pedra, montados previamente na pedreira e unidos com um adesivo epóxi de dois componentes desenvolvido pela alemã Henkel após uma década de investigação e produzido em Montornès del Vallès.
Cada painel leva cerca de 30 quilos de resina e cura durante 24 horas a temperatura controlada, antes de ser transportado, içado e montado nível a nível. Segundo a responsável pelo projeto, Begoña Cantera, o método é até dez vezes mais rápido do que a construção convencional: uma obra feita em cerca de oito anos teria levado entre 50 e 60. No total, foram usadas 24 toneladas de adesivo.
A solução teve de enfrentar o ar salgado do Mediterrâneo, a 2,5 quilómetros, uma humidade relativa entre 65% e 75% e as vibrações de duas linhas de metro que passam por baixo da basílica. A Torre de Jesus Cristo, coroada por uma cruz de 17 metros, deverá abrir ao público a partir de 2027 como miradouro.


