Uma equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa descobriu que os nanocorpos, fragmentos de anticorpos com cerca de um décimo do tamanho dos convencionais, conseguem interferir nas várias etapas da agregação da proteína Tau. A acumulação desta proteína no cérebro está associada ao Alzheimer e a outras doenças neurodegenerativas. O estudo foi publicado na revista Communications Biology.
A descoberta foi inesperada. Os cientistas tinham desenvolvido os nanocorpos para estudar a S100B, uma proteína do cérebro com função protetora, e perceberam que alguns também reconheciam diretamente a Tau. Dos três nanocorpos selecionados, um destacou-se e, no modelo celular usado, levou à supressão total da agregação e da propagação da proteína.
Os investigadores sublinham que ainda não se trata de um tratamento: para já, as moléculas são ferramentas para estudar com mais precisão como a Tau se agrega e passa de célula para célula. Os próximos passos incluem testá-las em agregados obtidos de tecido cerebral humano e em modelos de neurónios.
O trabalho foi coordenado por Cláudio M. Gomes, no BioISI, e contou com investigadores do i3S da Universidade do Porto, da Universidade de Lille, em França, e da Vrije Universiteit Brussel, na Bélgica.


