Um estudo dos ossos dos membros do esqueleto Little Foot, com cerca de 3,67 milhões de anos e descoberto nas grutas de Sterkfontein, na África do Sul, sugere que houve uma grande mudança na forma como os antepassados humanos se deslocavam entre há cerca de 3 milhões e 1,8 milhões de anos. O trabalho foi publicado na revista Science Advances.
Segundo os investigadores, o Australopithecus combinava a escalada regular de árvores com a marcha sobre duas pernas. Os ossos dos braços eram robustos em relação aos da coxa, num padrão mais próximo dos grandes símios africanos, embora as proporções dos membros inferiores de Little Foot já se assemelhassem às dos humanos modernos.
Por volta de há 1,8 milhões de anos, os fósseis dos primeiros Homo, incluindo os de Dmanisi, na Geórgia, mostravam padrões de robustez dos membros muito mais próximos dos atuais, o que os autores interpretam como uma ligação mais forte à vida no solo. Os cientistas propõem esta mudança como um «limiar» entre Australopithecus e Homo, mas admitem que ainda não sabem o que a provocou.
A transição coincidiu com um período de aumento do tamanho do cérebro na linhagem humana, embora o investigador principal, Kristian Carlson, sublinhe que a equipa não afirma que uma mudança tenha causado a outra.


