Uma equipa multidisciplinar de 21 investigadores italianos concluiu a missão científica «Pyramid26 – Exploration and Physiology», que a levou ao laboratório-observatório Piramide do Ev-K2-CNR, situado a 5050 metros de altitude no vale do Khumbu, no Nepal, aos pés do Evereste. A expedição foi liderada por Vittore Verratti, professor de Fisiologia da Universidade de Chieti-Pescara, e contou com a participação de várias universidades italianas.
O protocolo dedicado ao sono foi desenvolvido pelo laboratório de Psicofisiologia do Sono da Universidade de L’Aquila, dirigido por Michele Ferrara. O objetivo é perceber como a falta de oxigénio altera a atividade cerebral e a organização do sono ao longo de toda a subida, um tema muito menos conhecido do que os efeitos da altitude na respiração.
Os cientistas usaram eletroencefalogramas portáteis, pulseiras que registam os ritmos de sono e vigília, monitorização da respiração e da oxigenação e uma aplicação para smartphone que recolhia em tempo real dados sobre o sono, o estado emocional e até os sonhos. O balanço final inclui 170 registos noturnos de EEG, 600 dias de monitorização contínua e 1130 respostas na aplicação, ao longo de 15 dias de caminhada e mais de 120 quilómetros percorridos.
Segundo Federico Salfi, da Universidade de L’Aquila e responsável operacional pela parte do sono, o resultado é um conjunto de dados longitudinal «incrivelmente rico». O investigador acredita que o protocolo poderá servir de modelo para estudar o sono noutros ambientes extremos e de difícil acesso, e seguem-se agora meses de análise.


