Investigadores da Universidade Estatal de São Petersburgo, em colaboração com o Instituto de Investigação em Inteligência Artificial (AIRI) e o Instituto de Psicologia da Academia Russa de Ciências, avaliaram em larga escala modelos digitais de personalidade, sistemas de IA que constroem o perfil de uma pessoa a partir de entrevistas. O estudo foi publicado na revista IEEE Access.
Participaram 645 pessoas, que foram entrevistadas e responderam a testes psicométricos sobre personalidade, valores e atitudes, num total de 38 indicadores. Cinco modelos de IA receberam as entrevistas e tentaram prever as respostas de cada participante, que depois foram comparadas com as respostas reais.
Os traços mais visíveis no discurso, como a religiosidade e a extroversão, foram os mais bem previstos, enquanto motivações menos evidentes e a ansiedade latente se revelaram mais difíceis. Os modelos tenderam a sobrestimar a bondade e a honestidade e a subestimar traços como o narcisismo, o que, segundo os autores, indica onde é preciso calibrar estas ferramentas.
A equipa verificou também que dar mais contexto aos modelos nem sempre melhora a precisão. A investigadora Anastasia Panfilova sublinha que estes modelos podem apoiar a investigação, o ensino personalizado e o apoio psicológico, mas que produzem previsões probabilísticas cuja fiabilidade tem de ser verificada caso a caso.


