Investigadores do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), com colegas norte-americanos e apoio da FAPESP, mostraram que ostras, mexilhões e outros bivalves, mesmo sem olhos, usam opsinas, proteínas que captam luz, na pele para perceber a luz e a sua direção.
A retina humana usa 5 tipos de opsinas. Os bivalves sem ocelos, estruturas visuais primitivas, podem produzir até 9, e os que têm ocelos entre 5 e 12. O estudo analisou 17 espécies das cinco ordens do grupo, nove delas recolhidas em São Sebastião, no litoral de São Paulo.
A equipa sequenciou os genes ativos nos ocelos e na margem do manto, a parte mais exposta à luz. Descobriu também que a mobilidade dos animais não está relacionada com o número de opsinas. O trabalho foi publicado na revista Proceedings of the Royal Society B.
Segundo os autores, esta variedade de proteínas pode indicar funções ainda desconhecidas, como a regulação de ciclos biológicos. Os próximos passos incluem estudar outras perceções e o impacto da poluição química e luminosa nestes animais, importantes para os ecossistemas e para a economia.


