Investigadores da Universidade Estatal de São Petersburgo descobriram um mecanismo central na evolução das toxinas Cry, proteínas inseticidas produzidas pela bactéria do solo Bacillus thuringiensis. O estudo, publicado no The ISME Journal, foi liderado pelo doutorando Anton Shikov e pelo professor Kirill Antonets, em colaboração com o Instituto de Investigação em Microbiologia Agrícola.
Estas toxinas atacam pragas como lagartas, escaravelhos e mosquitos e estão na base de mais de metade dos produtos de proteção de plantas no mercado mundial. São consideradas seguras para os seres humanos, os animais de sangue quente e insetos úteis como as abelhas, mas precisam de continuar a evoluir porque os insetos se adaptam gradualmente.
A equipa concluiu que a recombinação sítio-específica, em que o ADN troca regiões bem definidas que codificam partes da proteína, tem um papel central na criação de novas toxinas, contrariando a ideia de que o processo-chave seria a recombinação homóloga. Através de uma análise bioinformática em larga escala, identificaram regiões de ADN conservadas que parecem desencadear essas trocas e uma enzima bacteriana provavelmente responsável.
Segundo os autores, os resultados oferecem uma explicação unificada para o aparecimento de novas toxinas e podem ajudar a prever a eficácia e a especificidade de novas variantes. A longo prazo, o trabalho poderá apoiar o desenho de agentes biológicos de proteção de plantas que visem insetos nocivos, mantendo seguras as pessoas e o ambiente.


