Os orangotangos são os grandes símios mais solitários, mas as mães parecem organizar verdadeiros encontros de brincadeira para as suas crias. A conclusão é de uma equipa liderada pelo Instituto Max Planck de Comportamento Animal, em colaboração com a Universidade de Zurique, a Universitas Nasional da Indonésia e a Universidade Rutgers.
Na estação de investigação de Tuanan, na ilha do Bornéu, os cientistas acompanharam pares de mães e crias desde 2003, de manhã à noite. Ao longo de cerca de 15 anos, somaram 32 mil horas de observação de 31 pares.
Os investigadores verificaram que as mães com crias de idades próximas partilhavam mais território e que essas crias brincavam juntas com maior frequência. Nos dias de brincadeira, e nos dias imediatamente antes e depois, as mães percorriam distâncias maiores, deslocando-se para a zona da outra mãe, e passavam menos tempo a alimentar-se.
Estes encontros são raros, acontecendo em cerca de 6% dos dias observados, e a brincadeira entre crias dura cerca de 20 minutos no total. Segundo a autora sénior, Maria van Noordwijk, o estudo revela um custo escondido da vida solitária; ainda não se sabe se este investimento beneficia as crias mais tarde.


