Investigadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, e da Universidade de São Paulo, no Brasil, criaram uma ferramenta de inteligência artificial que analisa o eletrocardiograma de 12 derivações para detetar o bloqueio total de uma artéria coronária, o tipo de enfarte mais mortal, e indicar qual é a artéria afetada. O estudo foi publicado na revista Nature Communications.
O modelo foi treinado com 540 372 eletrocardiogramas de 225 884 doentes atendidos nas urgências suecas entre 2005 e 2016, cruzados com os resultados de angiografias. Depois foi validado com 401 doentes do Instituto do Coração (InCor-USP), com o diagnóstico confirmado por cateterismo, e com outras bases de dados.
Segundo os autores, a ferramenta acertou em 96% dos casos com a elevação clássica do segmento ST e identificou corretamente 82% dos casos em que essas alterações não são evidentes, que são os mais difíceis de reconhecer.
A ferramenta ainda é experimental e serve para apoiar os médicos, não para os substituir. Os próximos passos são testá-la em condições clínicas reais no InCor e, para uso nos hospitais, obter a aprovação da Anvisa, a autoridade sanitária brasileira.


