Cientistas da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e do Centro de Biologia Molecular e Ambiental da Universidade do Minho desenvolveram um hidrogel pensado para o tratamento do melanoma, a forma mais grave de cancro de pele. Em Portugal surgem entre mil e 1.500 novos casos por ano.
O material combina nanocápsulas esféricas, que transportam o fármaco doxorrubicina, com um gel polimérico que funciona como barreira e controla a libertação do medicamento. À temperatura ambiente é líquido e fácil de manusear, mas ao tocar na pele a mudança de temperatura faz com que se torne rapidamente num gel, ficando no local onde foi aplicado.
Segundo a FCUP, a libertação localizada pode reduzir a exposição dos tecidos saudáveis e alguns efeitos secundários da quimioterapia. Os testes laboratoriais no Minho mostraram boa biocompatibilidade e estudos anteriores indicaram que as nanocápsulas são sensíveis ao pH, o que pode favorecer a libertação do fármaco nos tumores, que tendem a ser mais ácidos.
O trabalho, que resultou de dois anos de investigação e da tese de doutoramento em Química de Rui Machado, foi publicado na revista Applied Bio Materials, da American Chemical Society. A próxima etapa passa por estudos in vivo, para perceber como o hidrogel e o fármaco interagem com o organismo.


